quinta-feira, 7 de maio de 2009

Palco


Esse riso fácil que sustento não é meu. Eu tenho uma música lúgubre dentro de mim. Estatelo-me ao solo a guisa de aprovação e gargalhada. E no retraído lambo as feridas purulentas do meu ser. Loquaz no púlpito da glória. E mudo na sacristia da minha alma. Fausto das gôndolas mercantes. Mesquinho nas tramas íntimas. Hoje, como sempre; e eu, como tantos... Ganho o mundo perdendo alguma coisa ingênua em mim... Que sempre volta com mais força.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Última Gota

Como estivesse vestido para uma noite de amor morrerei. Serenamente sumirei pelas espumas ou de súbito ceifado. Inconformado e violento. Sabendo que todas as madrugadas foram minhas. E todas as lágrimas vertidas. E todas as ânsias. Todo o êxtase. Alternância de dor como sucedânea do gozo, e o inverso disso. Porque nunca desisto de nada, até a última gota de mim.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

João


Numa passagem de estrada perdi metade do meu coração. Daí pra diante penso e repenso cada milésimo de segundo imutável. Quem me reporá tanta ausência? Uma conversa, um conselho, mais uma mesa farta e todas as rodadas de generosidades... Hoje tu és o espalhar de encantamento e lembranças diárias. Porque me restou uma angústia cada vez mais mouca, turbilhão de dúvidas e a única certeza: o nosso reencontro na longa noite da eterna boêmia.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Re-composto
Apenas tenho o ímpeto acuado por sentimento
Num mundo de impulsos e premonições perdidas.
Por tal, nenhuma atroz rotina me pára.
Nenhuma peça do destino ingrato me sufoca.
Porque meu ponto forte
É o fio implacável entre o amor causado
E a cruenta decepção que me põe sofrido.
É, no repetido furar da face na transfiguração da dor sem freio,
Que me volto recomposto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Retorno
Viagem se faz por espírito.
Meu corpo era apenas uma testemunha sentimental de tal jornada.
Fui débil em busca do reencontro de olhar.
Nalgum lugar descobri como quem mente impune
Que a física e temporal distância remove o amor desnudo
E o sobrepõe disfarce.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007


Letras de Dor
Desisto de construir qualquer perfil de amor festivo.
Eu era teu precariamente.
De resto nada mais sei.
E, com efeito, me diminuo
ante tua dor que é maior e choras firme.
O punhal da vida incerta me crava as carnes,
se acompanha comigo
e sempre escrevo a saudade a sangue.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


Menino
Sou eterno menino com os olhos voltados para as delicadezas sórdidas, comovido pelo amor de toda ordem e reverente ao temor geral com relação ao mundo. Porque, profundamente atingido pela vida, procuro em algum canto o que já fui saudosamente, perplexo pelo que me coube ser e mais freneticamente angustiado em como me lançarei abismo futuro.