segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


Menino
Sou eterno menino com os olhos voltados para as delicadezas sórdidas, comovido pelo amor de toda ordem e reverente ao temor geral com relação ao mundo. Porque, profundamente atingido pela vida, procuro em algum canto o que já fui saudosamente, perplexo pelo que me coube ser e mais freneticamente angustiado em como me lançarei abismo futuro.

terça-feira, 6 de novembro de 2007



Predestinos
Sempre tenho no caos a segurança precisa
Vejo fugir amores,
Riquezas de tantas matérias
E certezas espirituais
O passado imprescindivelmente descartável
Hodierno é vaga de horas rotas
O futuro: favas contadas de bomba inócua
Não poupo minha predestinação para o ermo
Nem combato o conseqüente dos vícios
Minha lógica é furtiva
Cadafalso de vida que meu verbo não dirige nada
E de minhas retinas que digerem tudo

domingo, 28 de outubro de 2007


Morte

Indagai onírica senhora do tridente
As horas certas para tantas maquilagens
Para ouro de brincos e pingentes

Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.

E não, não convém aborrecer-me
Eu que logo serei carne mofada e tétrica no ataúde
Não que esteja morbo ou suicida
Apenas me acomete o mal de existir
E no estampido da existência, fixo-me na escuridão eterna.

Entretanto, ao despertar fito a clarabóia
E a luminosidade expressa o dia em auroras

Sem entender o breve sofrimento
Um dia a compridíssima mão me ceifará
E se a indelével parte ainda segue aos apelos da paixão
E todo o meu apego é efêmero
Tudo o que é bom na vida é assim

Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.
E a luminosidade expressa o dia em auroras

Ao alcance dos lábios nostálgicos
Um beijo e uma botija de vinho
E o prodigioso luto se aproxima

Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.
É a obscuridade, o começo do jamais
É hora de, tendo termo, chegar ao infinito
Graças que é hora de nunca mais.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007



Vazio
Deixaste esse vazio difícil e quase inexplicável. Como se a distância fosse sempre presença incomoda e as medidas da ausência algo só perceptível no estio de afeto, que ressoa como um uivo na mesma hora dos gestos de alcova. No fundo é um momento apenas. Mas, por tudo, é como se a saudade fosse transbordando vida a fora.








segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Talho
Atração sangüínea
Pelo objeto navalha
Desejo cadente em montes de vidros
Gosto em fim,
Do brilho rubro de vasos rompidos

quinta-feira, 6 de setembro de 2007


Neográfico Amor
Assim como todas as horas do pós crepúsculo mexem na freqüência dos tidos loucos, você me alterara minguantes virtudes e exaspera demasias. Pois - sem romper o renitente hermético que sou – põe-me repleto no clarão difuso do teu ser que orienta. Contigo concluo que toda noite deveria se chamar Lua e o nosso amor uma palavra nova que busquei sem sucesso e que repousará no campo sagrado dos prazeres inomináveis.

terça-feira, 4 de setembro de 2007



Porto Final
Impassíveis e trancados olhos cegos
Decidido doravante e partir enclausurado
Fiel ao celibato de mares estanques
Levar rumo atitude de viver só – sobreviver
Determinado e ponto final

Qualquer maneira, passou uma luz lacrimosa
Desviando pensamentos...
Mesmo dividido e olhando pra trás
O vagar levou-me embora contigo
Cortando o mar, a bruma e o antigo amor que deixei num cais
Era só o longe e a busca de um porto final.