Numa passagem de estrada perdi metade do meu coração. Daí pra diante penso e repenso cada milésimo de segundo imutável. Quem me reporá tanta ausência? Uma conversa, um conselho, mais uma mesa farta e todas as rodadas de generosidades... Hoje tu és o espalhar de encantamento e lembranças diárias. Porque me restou uma angústia cada vez mais mouca, turbilhão de dúvidas e a única certeza: o nosso reencontro na longa noite da eterna boêmia.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Re-compostoApenas tenho o ímpeto acuado por sentimento
Num mundo de impulsos e premonições perdidas.
Por tal, nenhuma atroz rotina me pára.
Nenhuma peça do destino ingrato me sufoca.
Porque meu ponto forte
É o fio implacável entre o amor causado
E a cruenta decepção que me põe sofrido.
É no repetido furar da face na transfiguração da dor sem freio
Que me volto recomposto.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Menino
Sou eterno menino com os olhos voltados para as delicadezas sórdidas, comovido pelo amor de toda ordem e reverente ao temor geral com relação ao mundo. Porque, profundamente atingido pela vida, procuro em algum canto o que já fui saudosamente, perplexo pelo que me coube ser e mais freneticamente angustiado em como me lançarei abismo futuro.
Sou eterno menino com os olhos voltados para as delicadezas sórdidas, comovido pelo amor de toda ordem e reverente ao temor geral com relação ao mundo. Porque, profundamente atingido pela vida, procuro em algum canto o que já fui saudosamente, perplexo pelo que me coube ser e mais freneticamente angustiado em como me lançarei abismo futuro.
terça-feira, 6 de novembro de 2007

Predestinos
Sempre tenho no caos a segurança precisa
Vejo fugir amores,
Riquezas de tantas matérias
E certezas espirituais
O passado imprescindivelmente descartável
Hodierno é vaga de horas rotas
O futuro: favas contadas de bomba inócua
Não poupo minha predestinação para o ermo
Nem combato o conseqüente dos vícios
Minha lógica é furtiva
Cadafalso de vida que meu verbo não dirige nada
E de minhas retinas que digerem tudo
domingo, 28 de outubro de 2007

Morte
Indagai onírica senhora do tridente
As horas certas para tantas maquilagens
Para ouro de brincos e pingentes
Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.
E não, não convém aborrecer-me
Eu que logo serei carne mofada e tétrica no ataúde
Não que esteja morbo ou suicida
Apenas me acomete o mal de existir
E no estampido da existência, fixo-me na escuridão eterna.
Entretanto, ao despertar fito a clarabóia
E a luminosidade expressa o dia em auroras
Sem entender o breve sofrimento
Um dia a compridíssima mão me ceifará
E se a indelével parte ainda segue aos apelos da paixão
E todo o meu apego é efêmero
Tudo o que é bom na vida é assim
Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.
E a luminosidade expressa o dia em auroras
Ao alcance dos lábios nostálgicos
Um beijo e uma botija de vinho
E o prodigioso luto se aproxima
Entretanto, ao despertar fito a clarabóia.
É a obscuridade, o começo do jamais
É hora de, tendo termo, chegar ao infinito
Graças que é hora de nunca mais.
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