quinta-feira, 6 de setembro de 2007


Neográfico Amor
Assim como todas as horas do pós crepúsculo mexem na freqüência dos tidos loucos, você me alterara minguantes virtudes e exaspera demasias. Pois - sem romper o renitente hermético que sou – põe-me repleto no clarão difuso do teu ser que orienta. Contigo concluo que toda noite deveria se chamar Lua e o nosso amor uma palavra nova que busquei sem sucesso e que repousará no campo sagrado dos prazeres inomináveis.

terça-feira, 4 de setembro de 2007



Porto Final
Impassíveis e trancados olhos cegos
Decidido doravante e partir enclausurado
Fiel ao celibato de mares estanques
Levar rumo atitude de viver só – sobreviver
Determinado e ponto final

Qualquer maneira, passou uma luz lacrimosa
Desviando pensamentos...
Mesmo dividido e olhando pra trás
O vagar levou-me embora contigo
Cortando o mar, a bruma e o antigo amor que deixei num cais
Era só o longe e a busca de um porto final.

domingo, 26 de agosto de 2007



Oradores do Deserto
Cantemos a fausta iniqüidade do agora
Velejemos em neuroses globais
Encenando a salvação dos espíritos
Tirando de todas as coisas
O eco mais surdo e a mímica mais cega
Falemos, pois, dessas miríades de castigos
Do despejo universal da meia-morada do indivíduo
Dos iluminados – voluntários da escuridão
Se nosso horizonte é parede cinza
Enxerguemos no cinza os preparativos para a chuva
Quando chove a enxada pára e o arado inerte
Pesa a sorte do semeador do estio
Resta a revolta como predicado da liberdade
Substantivo que acata ordens do vendaval
E explode em oásis de fogo
Porque somos nós os oradores do deserto

quarta-feira, 22 de agosto de 2007



Recomeço
Tomado que estava de um tipo de dor retesa de tão violenta. Ímpio por desventuras e num vazio atávico. Eis, que, como guizos magnéticos, meus olhos conveliram aos teus. Assim cá estou varado de fé em tudo que já não cria.

sábado, 18 de agosto de 2007



Limbo
No farfalhar folhas na brisa, no quebrar de onda ou no tilintar de música tola não me apanho e não conto o passar dos dias. Era pra conter a furtiva mão em busca da tua tez. Era a palavra dura e sentida, soltada como flecha, a guisa de atenção. Era pra não ver tua forma em todas as belezas morenas ao sol. E assim passa o tempo: no paraíso seco do esquecimento ou no vigoroso inferno de todas as recaídas.


Vento
O invento que carcome minha ficta vaga torácica está mais próximo da poeira que do tijolo; é mais vento translúcido que a concreta junção hidróxida do tom de chumbo-azul da chuva. Destina-se a flanar asfixiantemente até que numa breve ou distante manhã, dissipado, nem se chegue a notar que tenha havido.


Brevidade
No fundo a amei porque ela deu tema e enredo. E a guardei dentro da pena de que era escravo. Agora quero um olhar tolo, pródigo e quase vulgar de facilidade. Tudo rasteiro e sensual como a relva. Breve como tudo o que me fará esquecer o que era eterno.